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Tulio Lazarini - Bloguédias da (minha) vida privada



Eles estão acima da minha moral conservadora

Estamos há praticamente duas semanas com greve geral dos bancários em Brasília – quer dizer, a bem da verdade, não é bem assim: tem gente pra caramba trabalhando nos edifícios-sede, nas agências e nos órgãos regionais. A lógica da deflagração das greves aqui no Distrito Federal é a seguinte: tá difícil 'arrancar' (usando a verborragia sindical) o que desejamos? Eles não querem nos dar aquilo que nós consideramos justo? Então que se interrompam as negociações e greve neles!

A greve é uma conquista, um importante direito, e existe em qualquer país democrático – não sou contra o direito que uma categoria possui de paralisar suas atividades, mas sou absolutamente contrário ao abuso, à banalização e à sistematização do uso desse direito – se assim fosse, poderia sair por aí matando qualquer pessoa que praticasse violência contra mim, já que tenho direito à legítima defesa, ou será que matar continua sendo algo imoral? Desde 2003 temos greves em toda campanha salarial, assim que o Sr. Lula assumiu a Presidência da República. Sem falhar um ano sequer! Talvez os sindicalistas estivessem com saudades dos piquetes, onde se praticam agressões físicas e morais aos 'pelegos', da glossolalia urrada nos palanques em falações despropositadas, bandeiras içadas, apitos...

Nas negociações ocorridas até 2002, cada um usava as armas que tinha: se o sindicato convocava a greve, sabia que se tratava de uma decisão limítrofe, pois se esperava, à época, uma reação de mesma medida por parte dos bancos: eles dariam faltas não abonadas, descontariam salários, vetariam pagamento de participação nos lucros, suspenderiam direitos – nada mais justo, já que o funcionalismo decidiu romper as negociações e está se negando a trabalhar. Algo aconteceu a partir de 2003 (desconfia do motivo?) que inibiu as costumeiras retaliações patronais à greve, e hoje o período da campanha salarial acabou se transformando em férias coletivas e remuneradas. Qualquer ensaio de reação patronal se transforma imediatamente em 'assédio moral'.

Chegamos ao ponto da moral: a moral dessa esquerda sindical está acima da minha moral. O sindicalista piqueteiro que agride física e moralmente um funcionário que deseja trabalhar está praticando 'livre convencimento para o exercício do direito à greve' – eu chamaria isso de assédio moral, de violência, de negação do direito de ir e vir. O colega que liga para outro durante a greve, para tirar uma dúvida ou pedir ajuda (isso para manter um nível mínimo de atendimento), na visão deles é um assediador, um 'pelego', enquanto eu insisto em pensar que trata-se de um profissional cumprindo seu dever. O sindicalista acha que, quando um negociador patronal não aceita uma proposta do sindicato, está sendo intransigente, chorão. Quando um negociador sindical não aceita uma proposta patronal, ele não está sendo intransigente, mas sim 'defendendo com garra os legítimos interesses da categoria'. O próprio mote da campanha deste ano é um ataque moral: “Não chora banqueiro”. É com esse nível de respeito à contraparte que as negociações começaram.

Era de se esperar: a corrente política deles gerou uma montanha de aproximadamente duzentos milhões de cadáveres no século passado, empilhados em tempos de paz na Europa, na Ásia, na África e na América Central, simplesmente para fazer funcionar um determinado regime político-econômico baseado na pretensa igualdade entre os indivíduos: os “diferentes” foram sumariamente eliminados, e assim a igualdade se fez. Para eles, é natural agredir ou limitar as liberdades individuais em nome de um 'bem maior' coletivo, mesmo que esse bem maior não atenda à toda a coletividade – o senso de 'coletivo' deles também é uma incógnita. A Lei, na opinião dessa gente, pode ser subvertida se houver demanda 'popular' nesse sentido, e também pode ser subjugada a interesses de grupos minoritários que tenham poder de pressão: note que delegados da Polícia Federal foram punidos por investigar, por fazer escuta telefônica, por tentar cumprir seu dever com um mínimo de inteligência e qualidade. E quantos foram os Francenildos execrados, que o regime deles pretendia proteger?

Não é a greve que me incomoda, pois no frigir dos ovos os bancos continuam operando – só que em regime de contingência, com atrasos significativos nas atividades em andamento, mas depois se recupera o tempo perdido. O que realmente me incomoda são os ventos totalitários que essas correntes de pensamento em voga trazem à reboque: note que não se negocia com serenidade e liberdade, mas sim sob pressão de paralisações, com a faca no pescoço do patrão – e eu acho isso errado e antidemocrático; não se permite uma reação enérgica da contraparte, com suspensão de ponto, desconto dos dias parados e sanções disciplinares, o que torna a disputa desigual e desproporcional – e eu acho isso errado e antidemocrático; não se garante a liberdade do funcionário de decidir se deve trabalhar ou não – e eu acho isso errado e antidemocrático. Como nasci num país onde não havia democracia, e acompanhei os instantes finais da luta que culminou em sua reconquista, passei a dar muito valor a ela. Vê-la sendo achincalhada por essa republiqueta sindical me deixa muito inquieto; é como se tudo aquilo que se fez nos anos 70 e 80 não tivesse valido para nada.

Ou, em última análise, a culpa é do meu pai e da minha mãe, que me ensinaram uma moral muito conservadora. A moral deles, a moral 'da grande causa socialista', que é levemente amoral, está muito acima da minha.



Escrito por Tulio às 18h25
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Audiência seleta

Um passarinho me contou que tenho audiência frequente no domínio da rede SERPRO - Serviço Federal de Processamento de Dados. Não sei se é uma pessoa do próprio SERPRO (601 Norte), se é algum spider que roda nos servidores de lá, ou se é um visitante de algum outro órgão federal que faz uso do backbone do SERPRO para acessar a Internet - sabe como é, passarinho é passarinho, não sabe distinguir esses detalhes. Este visitante retorna frequentemente a este blog, quase que diariamente, desde o dia 12 de setembro, e de lá para cá, nosso espectador oculto realizou um total de 56 acessos, todos em dias úteis - ontem (08/10), foram dois acessos. Divertido isso, não? Vamos confabular sobre esse visitante:

  1. Pode ser um desenvolvedor mainframe do próprio SERPRO em cólicas, aguardando pelo próximo Boletim z/Developer - que não sairá. Improvável, pois o SERPRO tem feras em mainframe, e não precisam de boletins mal-escritos como o que eu editava;
  2. Pode ser um agente do SNI (agora acho que se chama ABIN), monitorando o que escrevo no meu blog para saber se estou manifestando opiniões políticas controversas. Acho que eles estão ocupados com o Reinaldo e com o Diogo, sou peixe muito pequeno;
  3. Pode ser uma fã! Uma admiradora secreta (ou quase), que lê meu blog para saber das minhas paranóias - pode ser que jogue tudo na minha cara depois. É o preço que se deve estar disposto a pagar, quando se adota a transparência e a sinceridade como princípios.

E então? Um, dois ou três?



Escrito por Tulio às 23h10
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Ensaio sobre nossa cegueira animal

Vamos fazer uma reflexão: em essência, partiremos do princípio de que somos todos animais. Sim, temos valores e crenças, nos curvamos a certos dogmas e paradigmas, assentimos em manter - e certas vezes até o promovemos - um leve manto hipócrita sobre nossos usos e costumes - o que nos ajuda a viver de maneira mais confortável, sem dar tantas explicações. Mas, apesar de todo esse universo complexo que rodeia o ser humano, somos essencialmente mais uma espécie no ramo dos primatas, o homo sapiens. Por ser sapiens, vez por outra teimamos em subverter a natureza - afinal, somos capazes de pensar! Podemos agregar alguma razão a certas decisões que tomamos, escolhas que fazemos, coisa que nenhum outro animal é capaz de fazer.

Nossa espécie chegou até aqui (sobreviveu a predadores, evoluiu física e mentalmente, adaptou-se às diferentes condições ambientais) porque machos e fêmeas obedeceram certas regras, ditadas pelos próprios hormônios e por uma boa dose de instinto. Os machos procuravam fêmeas saudáveis, voluptuosas e bonitas, isso por dois motivos: porque querem descendência saudável e bonita, e porque querem uma fêmea saudável para cuidar da prole por eles. As fêmeas, por sua vez, se uniam a machos fortes, hábeis e com liderança sobre o grupo, pois assim teriam garantido alimento e segurança para si e para seus descendentes. Daí veio Freud e fodeu com tudo...

Brincadeiras à parte, de umas décadas para cá começamos a procurar companheiros(as), sócios(as), homens e mulheres que deixassem de ser apenas parceiros sexuais, para procriar e garantir a continuidade da espécie. Eu mesmo disse aqui, no dia 10 de setembro último, que estava em busca de uma mulher "bela, inteligente, culta, amiga, companheira, altruísta, trabalhadora, sedutora... ou será que estou exigente demais?". Minha amiga Karinna me disse para ser menos exigente na régua de corte, só que eu realmente não acho razoável - afinal, não acabei um casamento à toa: ou será do jeito que deve ser, ou não será. Antes sozinho e em busca da pessoa para viver a minha vida, do que acompanhado e insatisfeito.

É aí que mora a nossa grande questão contemporânea: a antítese entre as questões animais (a parte homo sapiens da coisa, hormonal, coisa de pele) e as questões racionais (mais sapiens do que qualquer outra coisa). A ferramenta que uso na Internet para conhecer pessoas me dá a inédita possibilidade (absolutamente GENIAL) de conhecer primeiro todos os aspectos que julgo imprescindíveis (inteligente, culta, amiga, companheira, bláblá) para, aí sim, conhecer a pessoa ao vivo. Com isso, ganhei a oportunidade de me aproximar de meninas muito bacanas, por termos perfis parecidos, múltiplas afinidades, coisas em comum. Independentemente do tipo físico, do quanto ela tem de coxa, de peito, de bunda - elas são mulheres muito interessantes, indivíduos com histórias de vida fascinantes, cada uma a seu modo viveu uma odisséia homérica para chegar até aqui, e tudo é lindo, é bacana, é fascinante. E a natureza, nessa hora? Acaba regateando, como se manifestasse um acesso de birra e ciúmes, afinal ela acha que deveria ter sido consultada primeiro - se ela, a natureza animal da espécie, têm sido predominante há dezenas de milhares de anos, como poderia eu, a essa altura do campeonato, subverter impunemente a ordem estabelecida pela ancestralidade da raça?

Numa determinada hora, lá estou eu, na rua, e passa por mim uma bela mulher - apenas bela, mais nada. A natureza me convoca a fitá-la nos mínimos detalhes - essa poderia me gerar ótima cria... O cérebro reage e diz: "Olha o tipo, compadre! Não deve ser culta, não tem porte, mal sabe escrever! Vai querer discutir Dostoiévski com ela? Como tem a ousadia?". Páro de olhar imediatamente, e volto para meu mundo racional, afinal me nego a reconhecer que sou um mero animal! Só que, for the records, são exatamente os hormônios - do lado animal da história - que controlam nossa atividade sexual, nossa libido, nosso desejo. Sem eles, como ficamos? Sim, ficamos felizes tomando Prozac e Cialis. Uma vez, recebi a seguinte resposta para uma sutil cantada: "Se eu pudesse mandar nos meus hormônios, me casava com você semana que vêm". Compreensível.

Fechando: concluo que vivemos um conflito entre duas cabeças: geralmente, apenas uma delas tem razão, e apenas uma delas funciona por vez. Fazer as duas concordarem é uma verdadeira bosta: uma (a de cima) é de direita, outra é de esquerda. Vai entender... não falei que Freud fodeu com tudo?



Escrito por Tulio às 19h01
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Reinaldo Azevedo em "Espaço Aberto" (GloboNews)

Não deixe de assistir!



Escrito por Tulio às 20h39
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Caso raro! Fotos raras!

Não perca, caro internauta! As fotos a seguir foram tiradas em uma comemoração REAL (sem truques e sem cortes) da comemoração de bodas de 31 anos de casados! Por mais incrível que isso possa parecer, ainda há pessoas comemorando esse tempão todo de casados, e é com orgulho que lhes digo: são papai e mamãe, hehe! Para abrir a foto ampliada em uma nova janela, basta clicar sobre ela:


A prova definitiva: uma foto do casamento (1977)

Eu (cortando pão) ao lado da mamãe

Mamãe e minha irmã Carol

Minha mãe, D. Mary, em close!

Meu pai, o churrasqueiro, e a Baby

Minha irmã Carol e eu

Meu pai Getulio, tomando conta das carnes!

Família reunida em torno da churrasqueira

A Baby está esperando a hora da cervejinha...

Umas doses de Itaipava (cerveja boa pra cachorro)...

... e aí está ela, já meio bebum, esperando pela carne!

Pena que não sobrou pra ninguém. Comi tudo!

Daí, meu pai fez mais, para o resto do pessoal.
Gostaram?

Escrito por Tulio às 19h21
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Sobre a inexorabilidade do tempo


  Por Fábio Moon e Gabriel Bá



Escrito por Tulio às 13h30
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A um passo da antocracia

Estou aqui no infame distrito de Vicente de Carvalho, pertencente à municipalidade de Guarujá. Como não temos eleições para prefeito e vereadores no Distrito Federal, eu não estava (ainda) contaminado pelo espírito eleitoral, mas quando se chega aqui, é impossível permanecer indiferente. Amanhã teremos votação: a cidade está tomada por santinhos, bandeiras, faixas, cabos eleitorais e carros de som. A disputa é férrea entre o atual prefeito, Farid, e a candidata da oposição, Antonieta. Como não poderia deixar de ser, todos estão repetindo quase as mesmas frases, tal como se tivessem copiado ipsis litteris as falas uns dos outros - ainda na semana anterior, a Folha divulgou um caso de propaganda eleitoral de um candidato a prefeito em Santo André, que fazia referência à construção de um centro de atenção à terceira idade em Mauá, município vizinho - caso notável da técnica de campanha "Control-Cê-Control-Vê". Aliás, esquecendo por um momento a política, nosso país vive uma crise geral de originalidade: veja as monografias das faculdades, as campanhas eleitorais, os CDs e DVDs, as cantadas dos barzinhos, as bolsas Vuitton, a cor do cabelo e o formato do peito e da bunda da mulherada. Tudo é padronizado ou copiado de alguém, que copiou de alguém, que por sua vez também copiou de alguém. Viver nesse país têm se transformado em algo monótono, chato.

Vim para Vicente de Carvalho visitar meus pais, e aproveitar um pouco das minhas férias. Aqui chegando, encontrei em agonia terminal o computador da casa, do qual ora lhes escrevo - mamãe e papai, dados às simpatias, já tinham encontrado um jeito 'milagroso' de ligar o micro e pô-lo para funcionar, mas nem a usual mandinga dava jeito nele ultimamente. Após testar tudo o que era possível, substituimos a motherboard, e tadá! Habemus computador novamente. A coisa mais estranha para mim, neste micro, é o fato do monitor de 15 polegadas ser configurado para trabalhar na resolução SVGA 800x600, com letras grandes - usá-lo é um desafio, uma vez que a maioria dos desenvolvedores de aplicações trabalham com a premissa de que seus usuários tem resolução de vídeo de, pelo menos, 1024x768 pixels.

Voltando ao assunto eleições: vim para cá de ônibus, e o Reinaldo Azevedo veio me fazendo companhia, em "O País dos Patralhas". Lê-lo me aguçou a sensibilidade política, e passei a observar com um olhar muito mais crítico o processo eleitoral daqui da cidade. O babalorixá de Banânia (para os não iniciados, essa singela adjetivação é usada pelo Reinaldo Azevedo para referir-se ao Lulla) gravou uma mensagem padronizada de apoio, que está sendo veiculada pelos carros de som do atual prefeito Farid. Logo após a fala da vóça insólênça em apoio ao atual prefeito, ele se defende das supostas falsas acusações feitas pela oposição, etc. Promete hospital, promete mudanças no sistema de transporte coletivo, promete atenção para a periferia, promete melhorias para a educação, blá, bla. A candidata da oposição, Antonieta, que ultrapassou o prefeito nas últimas pesquisas de opinião, acusa o Farid de corrupção, improbidade administrativa, relembra o 'mensalinho' da câmara dos vereadores, os trens da alegria do nepotismo, blá, blá. E a população local, sabe o que acha de tudo isso?

A população acha graça. Este é o ponto. A mundiça ri e se diverte com os confrontos nos debates. Faz piada com as acusações de ambos os lados, e não está nem aí para quem diz a verdade - afinal, políticos são apenas políticos, eles lá e nós cá... A população média - medíocre, sem o sentido pejorativo da palavra - pensa que o processo político-partidário mais se parece com o Programa do Ratinho, com o Programa do Datena, do que com um processo sério de representação dos anseios e necessidades da comunidade. Não há, no seio do nosso povo, maturidade política para participar, de forma ativa, consciente e independente, de um processo eleitoral.

Em outras palavras, uma geração lutou com as forças que tinha para orquestrar, no final da década de 1970, início da de 1980, o restabelecimento da democracia - mas essa democracia era para quê, mesmo? Era para ser exercida pelos 'tchândalas' (com a licença poética de citá-lo, caro Elso), pela casta da Regina Casé? Para fazer piada? Para servir como protesto inútil? Olha, vou parar por aqui, pedindo a você, caro leitor desse espaço, que tome providências: se você já é iniciado e quer ir direto para o módulo avançado, compre os livros do Diogo Mainardi e do Reinaldo Azevedo e vá se despocotizar; se você ainda está no nível básico, procure o filme Idiocracia (ou Idiocracy) na locadora mais próxima e vá se divertir/refletir.

Amanhã, vê se vota com um mínimo de consciência - pelo menos, quando você for reclamar futuramente, terá alguma razão em fazê-lo.



Escrito por Tulio às 18h17
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Hoje teve circuit breaker. Sabe por quê?

Às 14h49, o pregão foi interrompido na Bovespa, por um mecanismo chamado "circuit breaker" (traduzindo, ficaria algo como 'disjuntor, fusível'), que é acionado toda vez que as baixas no índice superam os 10%. Quando o Ibovespa atingiu a marca limite, os negócios foram suspensos por pouco mais de trinta minutos - instantes antes da interrupção do pregão, o congresso norte-americano anunciava a rejeição do pacote salva-bancos, no valor de US$ 0,7 trilhão - isso mesmo, uma injeção de recursos do Tesouro americano de montante pouco superior à metade do PIB brasileiro. O fechamento do pregão esboçou uma 'leve recuperação', com queda de -9,36% (isso mesmo, MENOS nove vírgula trinta e seis por cento), aos 46.028 pontos. E sabe por que isso está acontecendo? Eu explico.

O Bill, americano de classe média, comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares, financiado em 30 anos. Em 2006, o apartamento do Bill passou a valer 1,1 milhão de dólares - o crédito imobiliário abundante fez aumentar a procura por imóveis, sem a efetiva contrapartida em termos de oferta, de forma MUITO parecida com o que observo aqui em Brasília. Aí, um banco perguntou pro Bill se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.

Bill notou que os imóveis não paravam de valorizar, então pegou metade dos 800.000 dólares e comprou 3 casas em construção. Com o restante, 400.000 dólares, ele foi para a farra: comprou carro novo (alemão) pra ele, deu um carro (japonês) para cada filho, e com o resto do dinheiro comprou TV de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Bill, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007, começaram a correr boatos de que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas em que o Bill tinha dado entrada, e estavam em construção, caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez - era dificílimo vendê-las. O negócio era usar a 'galinha dos ovos de ouro' novamente: refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil... parecia fácil. Só que todo mundo teve essa mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas de juros que o Bill pagava pelos financiamentos começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e ele percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.

Milhões tiveram a mesma idéia do Bill. Tinha casa pra vender como nunca.

Bill foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da TV de plasma e do cartão de crédito. Em certo ponto, as casas que o Bill comprou para revender ficaram prontas, e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Bill achava que já teria revendido as 3 casas - mas, ou não havia compradores, ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Bill havia pago. Bill se arrebentou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Bill.

Bill, então, optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos, que não quiseram acordo. Bills entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento, perdendo tudo que tinha investido. Bill efetivamente quebrou. Ele e sua família pararam de consumir. Milhões de Bills deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Bills em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Bills esses títulos começaram a valer pó.

Bilhões e bilhões em títulos passaram a não valer nada: disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos. Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados no preço (irreal) de mercado desse imóvel... preço que, ajustado a uma nova realidade, despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e, de repente, ele passou a valer 300.000 dólares - e, mesmo pela "bagatela" de 300.000, não havia compradores.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Bills atingiu fortemente os bancos americanos, que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba, e agora acabou. Com a inadimplência dos milhões de Bills, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Bills pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos, e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.

O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo, porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento, e as famílias, esperançosas. Até que, há alguns meses atrás, o impensável aconteceu, o pior pesadelo de uma economia: a crise bancária. Correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu numa tórrida segunda feira (dia 10 de março último) totalmente quebrado, insolvente. No domingo seguinte (dia 16 de março), o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso, o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares cada ação - há um ano elas valiam 160 dólares cada. A seguir, dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O que aconteceu depois? O Lehman Brothers pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (isso, quinhentos!) pontos no Índice Dow Jones, que mede o valor ponderado das ações das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York - a maior queda em um único dia, desde a quebra de 1929.

Hoje aconteceu mais um passo em direção ao fundo do poço: o aporte de recursos para dar liquidez aos títulos podres daria fôlego à combalida crise de liquidez, injetando algum ânimo na economia norte-americana, e com isso se esperava suspender as quebradeiras de bancos por tempo indeterminado. Mas a medida não passou pelo congresso americano, a Bovespa sentiu, o dólar disparou. Tudo por causa das cuecas financiadas do Bill. E aí, entendeu agora?



Escrito por Tulio às 19h59
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Chegaram as férias, uêba!

Buenas! Chegaram as minhas férias, graças a Deus! Como é de vosso conhecimento, a idéia inicial era aproveitar esse período de descanso para começar a fazer minha mudança para Sobradinho, mas no final das contas o apartamento não foi entregue. Ainda sem a possibilidade de adiantar os preparativos, ao menos essa semana fiz algumas coisas interessantes: cotei por telefone alguns preços para os boxes dos banheiros, fui até Taguatinga nessa quinta-feira para ver preços, materiais e modelos para cortinas e persianas, peguei os puxadores que faltavam para os móveis, liguei na Elétrica 109 para substituir uma parte das lâmpadas que comprei por um modelo de maior potência, etc, etc...

A principal 'adiantada' da semana foi a chegada dos móveis. Neste ponto, a Órion foi flexível, mas também esperta: eu precisava receber as peças nesta terça-feira, impreterivelmente, mas para isso eu precisaria aceitar da Órion o acabamento tal como ora está. Então, na segunda, fui até a obra para fazer a tal 'vistoria', e fui alertado pela representante da construtora que qualquer inconformidade implicaria na suspensão da autorização para recebimento dos móveis - em outras palavras, era aceitar ou aceitar. Com a faca no pescoço, assinei os papéis sem fazer ressalvas (coisas para consertar? No creo, pero que las hay, las hay!), e na terça-feira chegaram as peças: quase três toneladas de madeira. Nossa grande sorte foi a presença do elevador, e através dele subimos cerca de 85% dos móveis - mas, nos 15% restantes, estavam duas estantes, uma delas particularmente complicada para fazer passar pela escadaria. Provocamos alguns danos à pintura das escadarias, que serão devidamente reparados e pagarei por isso, como combinado com a Construtora. Apesar dos pesares, o importante é que todas as peças já estão dentro do apartamento, e serão montadas quando Deus e a Órion quiserem.

Na semana que vêm, estarei em São Paulo, matando as saudades da família. Fui para lá pela última vez em maio, para comemorar o aniversário de 63 anos da minha mãe, e de lá para cá tanta coisa aconteceu que não tive a oportunidade de retornar à São Paulo. Mas agora as passagens estão compradas, vou no dia 1° (chego no dia seguinte) e volto de lá no dia 07 (estarei de volta ao DF no dia 08), e coincidentemente numa data especial, pois no dia 01/10 meus pais completam 31 anos de casados. Felicidades para os pombinhos!

E o site de relacionamentos? Para ser sincero, abandonei. De tempos em tempos, recebo e-mails automáticos sobre perfis supostamente compatíveis, mas quando vou olhar, por curiosidade, se são efetivamente compatíveis, acabo me assustando com o que vejo. Outras tantas vezes, recebo mensagens de pessoas que sequer são do país, e outras que nem te conto - de pessoas absolutamente incompatíveis, que mal pararam para ler o que você escreveu no seu perfil, tal como se atirassem para todos os lados! Mas eu posso dizer que dei sorte: o último contato que fiz revelou uma pessoa madura, culta, inteligente, tranqüila, altamente compatível comigo e de uma região do país com a qual tenho muita identificação. Ou seja, so far, perfect! Aliás, acho que esse é o principal motivo pelo qual estou me sentido totalmente desestimulado a continuar olhando o ParPerfeito, porque a cada dia que passa, cresce em mim o sentimento de que a procura acabou. Only time will tell. Vanessa, seja muito, muitíssimo bem-vinda a minha vida.

Minha companhia para a viagem até Sampa serão os livros do Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi, em uma super promoção na Livraria Saraiva. Pedi na quinta-feira, e estarão aqui até quarta, se Deus quiser, exatamente antes da minha viagem. Tomara que cheguem a tempo, pois nada melhor que um bom livro para curtir um buzão... rs!



Escrito por Tulio às 09h35
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Para pensar!



Escrito por Tulio às 17h36
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Dear Karinna...

Obrigado pela companhia no almoço de hoje. Você é daquelas pessoas que iluminam uma discussão, não pelos pontos que temos já pacíficos, mas pela maneira singular que tens de enxergar o mundo. Se você investir uma tarde chuvosa lendo este blog de trás para frente (do post mais antigo para o mais recente), poderá ver o duro e tortuoso caminho que percorri, como aliás todos os que me trouxeram até aqui, para sair de um casamento que parecia perfeito e reconstruir minha vida do zero. Yesterday I was neck deep in shit, now look at me!

Hoje eu não te contei, minha querida amiga, porquê comecei a escrever este blog. Na década de 1990, mantinha religiosamente minha correspondência em dia com uma amiga muito querida, a Fabiana (na época não havia e-mail, eram cartas mesmo), e nessas cartas registramos a nossa história: confissões, medos, angústias, alegrias, vitórias. Depois de muitos anos escrevendo essas cartas, tive a oportunidade de relê-las. Sem querer, acabei criando um diário de bordo da minha própria vida, e me encontrei em cada uma das linhas que escrevi - foram momentos difíceis e decisivos, e neles me descobri altivo, disciplinado, determinado e coerente com meus princípios e valores. Assim que me vi sozinho, após a separação, e sem mais ter para quem escrever minhas neuras, resolvi fazer da minha vida (mais do que nunca) um livro aberto, e passei a escrever sobre ela, com transparência, para qualquer pessoa que quisesse lê-la, em qualquer canto do mundo. Dividindo um pouco de mim com as pessoas, poderia receber também um pouco delas - haja vista os comentários que tão generosamente recebi e ainda recebo, e as opiniões dadas pessoalmente pelos amigos. A idéia nunca foi a de magoar ninguém, mas é claro que não se pode agradar a todos. E escrever essas linhas me faz muito bem!

Você me conhece. Acho que me recuperei, creio que já passou tempo suficiente. Parei de cantar "The winner takes it all", e agora tomei de volta as rédeas do meu destino. Eu acho que mereço, novamente, botar uma boa dose de felicidade na minha vida. Para que isso aconteça, não estou desesperadamente à caça de uma nova companheira - mas estou, sim, e essa é a boa-nova, novamente aberto a essa possibilidade! Até há pouco tempo atrás, estava fechado para balanço e tinha a clara impressão de que não iria mais me relacionar com ninguém - entretanto, lambi minhas feridas, cuidei das minhas neuras e estou me sentindo disposto, novamente, a ser feliz! Estou fazendo isso não apenas por mim, mas sei que posso fazer alguém muito feliz, pois sou um homem carinhoso, amoroso, companheiro, amigo, leal. Ao adotar essa postura, não tive (e nem tenho) a disposição de machucar a quem quer que seja, mas é preciso viver. Tenho trinta anos; não estou velho, mas quase morri em 2006 por causa de uma apendicite e, de lá para cá, aprendi que não se deve deixar para amanhã aquilo que você pode viver hoje, pois o amanhã pode não chegar. Non procrastinatus, carpe diem!

Você é uma mulher muito bem casada e muito feliz, e boa parte desse novo eqüilíbrio advém do fato de estar ao lado de um homem formidável. Espero ter, para mim, felicidade semelhante - a idéia original era essa; um lar, uma família feliz, filhos, e pretendo retomá-la. Um beijo carinhoso, do seu 'irmão mais velho'.

PS: acho que gosto de escrever sobre esse assunto porque, cada vez que releio, ajudo a convencer a mim mesmo que encontrei (enfim) o caminho para sair do outro lado.



Escrito por Tulio às 15h16
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Não habemos data nenhuma!

Comecei o post usando o título inverso do que usei na semana passada, pois uma virada de mesa fez com que a data de entrega do apartamento evaporasse, e eu lhes conto como isso aconteceu: no final de semana em que eu estava comemorando a proximidade da minha mudança com vocês, um grupo minoritário de proprietários 'investidores' se reuniu na surdina, para tentar impedir a entrega imediata do prédio, que ainda não possui 'habite-se' oficial da administração regional de Sobradinho. Sob o fraco argumento de que uma eventual ocupação precoce poderia prejudicar o processo de obtenção da documentação dos apartamentos - em verdade, eles não queriam é assumir de imediato as despesas condominiais e aguardar uma maior valorização das suas unidades - eles conseguiram um advogado e foram até a construtora, ameaçando processá-la e responsabilizá-la judicialmente caso qualquer unidade do Beethoven fosse entregue antes da conclusão do processo de regularização. Pressionada, a construtora cedeu e suspendeu a entrega por tempo indeterminado, até que toda a documentação dos apartamentos esteja providenciada - habite-se, desmembramento, emissão dos carnês de IPTU e escrituras.


Essa 'virada de mesa' me gerou dois problemas quase insolúveis: o primeiro (e mais severo) deles é a questão dos armários. Já adiei a entrega dos móveis com a Madeireira Menezes por duas vezes, e não teria margem negocial (em outra palavras, 'cara de pau') para pedir uma nova prorrogação de prazo. Iniciou-se, então, uma feroz negociação com a construtora, para me ajudar a honrar o compromisso assumido com a Menezes. Conversa daqui, flexibiliza de lá, e conseguimos construir uma proposta mediana, que atendesse parcialmente a todos e reduzisse o desgaste entre as partes: a Órion Construtora permitiu apenas e tão somente que as peças dos móveis sejam descarregadas e armazenadas dentro do apartamento, sem nenhum tipo de montagem por ora; a Madeireira Menezes deixará tudo no apartamento, desmontado, do jeitinho que veio no caminhão, e irá embora para Unaí; e eu assumo responsabilidade integral pelas peças no período entre seu armazenamento e a montagem. Com essa proposta, resolvi pelo menos um grande problema: deixar na Menezes toneladas de peças de madeira, todas já prontas, que correm o risco de quebrar, manchar, bater, e que agora ficarão armazenadas em segurança dentro do meu prédio. E, posteriormente, quando as coisas já estiverem mais azeitadas com a Construtora, nós agendamos um período para montagem dos móveis e os montadores vêm para cá, para concluir o serviço. Caso (quase) encerrado!


O segundo problema, esse sem solução, é a perda de uma grande oportunidade de me mudar, já que estou saindo de férias por esses dias. Estou com algumas caixas de materiais para serem instalados (lâmpadas, chuveiros, puxadores de móveis, etc), avisei à imobiliária sobre minha firme intenção de desocupar a quitinete até o próximo dia 31 de outubro, e todo o planejamento que fiz foi por água abaixo. Bom, como a documentação não tarda, acho que até o final do ano consigo sair do aluguel; agora, como não depende mais de mim, o jeito é aguardar.


Confesso que fiquei chateado com o ocorrido. Puxa vida, nos reunimos para tomar uma decisão, ela foi tomada democraticamente pela maioria, e instantes depois subvertida por um grupo minoritário, na defesa de seus próprios interesses financeiros, gerando transtornos para boa parte dos futuros moradores, que precisavam receber o imóvel o quanto antes e prepará-lo para a mudança. Well, fuck off! Faz parte. O desrespeito à vontade alheia, a falta de empatia, a incapacidade de analisar sob uma ótica pluralista e altruísta é característica da cultura brasileira (ou da falta dela). Lembra 1984, campanha das "Diretas Já", estávamos comemorando e cantando a alvorada da democracia no Brasil? Passados vinte e quatro anos, o que temos, uma real democracia, ou pequenas ditadurazinhas?


(...)


Nos idos da década de 1930, o brasileiro medíocre festejou Getúlio Vargas, que suspendeu direitos democráticos e perpetuou-se no poder. Vários anos depois, festejou Juscelino Kubitschek, um visionário que iniciou o processo de endividamento irresponsável do país. Elegeu o lunático do Jânio Quadros, que renunciou em favor de outro mais lunático ainda, João Goulart. Este, por sua vez, desagradou o oficialato das Forças Armadas e acabou deposto, vivendo o ostracismo no Uruguai. Ou seja, antes da ditadura militar, o brasileiro já tinha muito pouca cultura política; era uma república de coronéis, de currais eleitorais, de retórica populista. Deu-se então a Ditadura Militar, e por vinte e poucos anos, o brasileiro deixou de exercer livremente o direito do voto. Quando a abertura política nos restabeleceu o poder de eleger o presidente da república, nos reencontramos com nossa ignorância política, com nossa incompreensão da cidadania plena, com nossa incapacidade de pensar coletivamente e de analisar as necessidades de nossa cidade, nosso estado, nosso país. Neste ano, estamos novamente "exercendo a democracia", na unidade mais importante da Federação: o município. Recebo diariamente listas engraçadas de candidatos por e-mail, e não resisto a pensar: se há oferta de candidatos, digamos, excêntricos, é porque certamente criou-se uma demanda por eles na sociedade. E se muitos deles se elegem, é ou porque têm representatividade, ou porque seus eleitores não compreendem o que significa VOTAR - não se trata de um ato isolado de protesto, mas sim uma grande responsabilidade! Tendo em vista a incompreensão generalizada desse direito, como ficamos? Não ficamos - cada um por si, e Deus, que é brasileiro, que olhe por todos...


(...)


Férias, enfim. Eu as tirei não apenas pela proximidade do 'período fatal', mas também porque queria muito fazer minha mudança nesses dias de descanso. Por causa das ditadurazinhas brasileiras, minha expectativa micou. Bom, vou aproveitar para descansar, ver meus pais (não vou à São Paulo já faz cinco meses) e recarregar as baterias para nossos desafios vindouros, tanto no Banco quanto na nova moradia. E as férias estão começando muito bem! Ontem, fui a um agradabilíssimo evento no Clube Nipo Brasileiro aqui de Brasília, o nosso costumeiro yakisoba. Apesar de ter chovido canivete (há meses não caía uma chuva dessas aqui no DF), por incrível que pareça o ginásio do Nipo estava absolutamente LOTADO de gente. Fui muito bem acompanhado pela Vanessa, e hoje tem cineminha - o filme sugerido é "Mamma Mia", um musical-comédia holywoodiano. Se o filme é bom eu não sei, mas a companhia é das mais agradáveis.


Manhê, paiê, Carol, pode botar água no feijão aí em Sampa que eu TÔ CHEGANDO!



Escrito por Tulio às 08h29
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Habemus data!

Senhores(as) visitantes, temos uma data oficial marcada para receber, enfim, o tão sonhado apartamento: dia 22 de setembro de 2.008, às 10h da manhã! Tivemos uma reunião nessa última quarta (10), no Rotary de Sobradinho, para tratar com a Órion acerca da entrega do prédio, e por maioria relativamente apertada, venceu a tese de recebermos imediatamente os apartamentos, inclusive para já começar a agitar a nossa mundança. Um condomínio está sendo estabelecido, e já a partir do mês que vêm teremos taxas para recolher, porteiro, vigia, conta de água e de luz, vizinhos e tudo o mais. Ai, ai, aiai, tá chegando a hora... rs!

Na semana que vêm, vou ligar para o pessoal dos móveis para marcar a instalação de todo o mobiliário planejado - ainda faltam alguns puxadores, que devem chegar à loja ao longo dessa semana, mas eu sinceramente não estou preoocupado com isso, haja vista que um eventual atraso dos puxadores não impacta em nada a instalação dos móveis, uma vez que eu mesmo posso instalá-los posteriormente, na pior das hipóteses. Também já comprei chuveiros, mas ainda não os instalei porque as visitas às obras estão contingenciadas até a entrega definitiva. Mas para quê pressa, a essa altura do campeonato?

Este evento é mais um marco histórico: estou saindo, enfim, do aluguel! Mais uma vez, e agora em definitivo (a não ser que aconteça alguma hecatombe). Vou ganhar muito em qualidade de vida, vou passar a morar no que é meu, vou poder arrmar meu canto exatamente do meu jeito. Evidentemente, não terei tudo pronto logo de cara, e até deixar o apartamento cem por cento, acho que vou dispender cerca de um ano. Mas, quando tudo estiver ok, vai ficar LINDO, e se Deus permitir, será o local onde formarei aquele LAR com o qual tanto sonhei, um sonho interrompido e que será retomado agora.

(...)

Acerca da retomada desse sonho: hoje, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente mais uma menina legal, interessante, sobre a qual ainda não sei muito (nos conhecemos faz apenas alguns dias, pela Internet). Seu nome é Vanessa, é portoalegrense, chegou há pouco em Brasília, escreve e se expressa muito bem, etc, etc... minha amiga Nana, que me conheceu também no site ParPerfeito, andou me questionando fortemente (e com pertinência) sobre o que efetivamente eu estou procurando no site; segundo ela, estou sendo muito criterioso ao buscar alguém, e estou 'vedando' potenciais pretendentes ao detectar sinais de incompatibilidade comigo. Segundo a Nana, eu deveria procurar em outro lugar, pois no site há muita gente de 'baixo nível', e também reavaliar o que desejo, pois segundo a opinião dela, estou procurando não um novo amor, mas uma governanta que seja a perfeição à minha imagem e semelhança. Ainda não sei se ela tem razão (only time will tell), preciso avaliar com mais calma, mas o fato é que preciso continuar tentando, e o site é uma das minhas boas fontes de busca. Alguém aí tem alguma sugestão? Querem me dizer algo a respeito? Sou todo ouvidos.

Em tempo: nesta semana, estréia o novo livro do Reinaldo Azevedo, chamado "O País dos PeTralhas". As 337 páginas são um compêndio do que melhor foi publicado sobre o 'petralhismo' no seu blog e nas colunas de O Globo. Mas o que é o petralhismo, afinal? Segundo a definição do próprio autor, trata-se de um "neologismo criado da fusão das palavras ‘petista’ e ‘metralha’ – dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa-forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o roubo social". Preciso te dizer que, apesar da maioria dos textos estarem á sua disposição gratuitamente no site da Veja, estes serão seus trinta e oito reais mais bem gastos da vida?



Escrito por Tulio às 20h44
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Um mês depois, o que temos?

Há exatamente um mês atrás, postei um tópico com o título "Fechando a virada". Me cadastrei em um site de relacionamentos, e até o momento conheci pessoalmente duas pessoas. Os resultados foram bastante diferentes em cada um: num caso, nos vimos apenas uma vez e, logo de cara, notei incompatibilidades de estilo de vida, de comunicação, de perfil pessoal e muito pouca coisa em comum; noutro caso, passamos mais tempo convivendo e minha primeira impressão é a de que teríamos boas chances de nos darmos bem, mas assim que conheci um pouco mais do seu dia-a-dia, observei incompatibilidades de gênio, de estilo de vida, de gostos, de comportamento. No perfil que cadastrei no site, disse que meu objetivo primário é encontrar pessoas com quem eu tenha grande afinidade e compatibilidade, e tenho insistido nesse foco. Eis a minha grande dificuldade de momento: alinhar a régua da compatibilidade, pois encontrar pessoas que se encaixam no perfil que desejo tá bem complicado.

Li não sei onde (Exame, Veja, Época) que muitas empresas no Brasil estão procurando supervisores, gerentes, executivos, presidentes e não encontram. Por outro lado, há um monte de gente desempregada. E por que isso acontece, oras? Simples: o desempregado está pouco qualificado. É o que noto neste site de relacionamentos: mulheres solteiras cadastradas por lá há aos montes, mas umas mal sabem escrever, outras deixam claro que não sabem exatamente o que procuram, outras tem poucas perspectivas de vida, e as que passam por esse primeiro "pente fino" geralmente não se encaixam em vários dos meus critérios.

Um mês depois, o que temos? Temos observado que o nível tá meio baixo, tenho encontrado pouco ânimo para contatar as pessoas por lá. Posso contar nos dedos da mão acidentada do Lula as pessoas para as quais mandei mensagens ultimamente. Vai ser muito, muitíssimo mais difícil do que poderia parecer num primeiro momento, e desgastante também, pois a cada novo contato mal sucedido a gente inicia um novo ciclo, de aperto de mãos - despedida aqui (há um certo sofrimento psicológico nisso), apresentação acolá (uma esperança que nasce). Eu pensei que seria mais prazeirosa essa tarefa, mas não tem sido não. Bom, a peteca não pode cair, vamos em frente! É impossível que eu não consiga encontrar uma mulher que seja bela, inteligente, culta, amiga, companheira, altruísta, trabalhadora, sedutora... ou será que estou exigente demais?



Escrito por Tulio às 22h48
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Pimentinha, macarronada e chuveiros

O Pimentinha estava falhando barbaridade, e eu não conseguia encontrar uma janela de tempo para levá-lo a Sobradinho para o médico oficial dele, o Seu Lelê. E, ainda que tivesse a possibilidade de deixá-lo na oficina, eu teria que dar um jeito de convencer o Lelê a mexer no Fusca, já que agora ele está trabalhando com motores náuticos, e não mais com automóveis... bom, o jeito foi procurar uma nova oficina, que pudesse dar um jeitinho no Pimentinha. Após pesquisar com amigos, descobri a Carbutec, na 711 Norte. Deixei o carro lá na manhã de quinta, e o peguei de volta antes do almoço do sábado, mas o carro não ficou 100% - ele está com a lenta um pouco acelerada, mas se reduzir a lenta, ele fica morrendo à toa quando está ligeiramente frio. Bom, tendo em vista que carro a álcool sempre fica um pouco mais acelerado, deixei pra lá. Mas eu preciso arrumar um bom mecânico para meu carro - talvez eu deixe com outro mecânico lá em Sobradinho, do qual tenho boas indicações também.

Na sexta, quando fui olhar o carro na oficina, encontrei uma ducha Lorenzetti Evolution Turbo em promoção na Elétrica RR, um verdadeiro chuveiraço por um preço muito convidativo. Comprei chuveiros para a casa toda, e para trazê-los até o trabalho sem o Pimentinha foi dose para elefante. Semana que vêm preciso ir lá no apartamento para instalá-los. Ah, falando em apartamento, estive lá para tentar consertar uma besteira feita pelo pedreiro da Órion, que cortou uma pedra de granito (após assentada na parede) para permitir a instalação de uma caixa de interruptores. Os marmoreiros sabem que qualquer corte só pode ser feito ANTES da instalação, e colocaram a pedra sem cortar. O jeito agora foi fazer uma pedra nova, instalando-a no lugar - pagando pedra e mão de obra. Such a waste!

Ontem, fiz um programa diferente e divertido: fui convidado pela Nana (minha mais nova amiga, conheci através daquele site de relacionamentos que já comentei) para fazer uma macarronada na casa de uns amigos dela. Comprei dois ótimos vinhos italianos, que acompanhariam muito bem as massas, mas esses amigos da Nana (diferentemente de nós dois) são evangélicos, portanto não se permitem beber nada. Me diverti muito fazendo a tal macarronada, todos comeram que se esbaldaram, e depois da comilança acabou faltando assunto, já que eu estava em um meio relativamente estranho: religiosos geralmente tem assuntos que giram exclusivamente em torno de suas crenças, e fazem de qualquer oportunidade (ou da falta dela, já que freqüentemente se tornam inoportunos) um gancho para levarem os 'infiéis' para o caminho da Luz. No geral, foi divertido e pitoresco - o macarrão ficou digno daquele italiano rosso secco, tão bem guardado, e tive que acompanhá-lo com guaraná. Uma doce heresia

Ontem eu também estive no encontro mensal de carros antigos no Parque da Cidade, e tirei várias fotos. O encontro estava bacana, mas não fiquei até o final exatamente por causa dos preparativos para a macarronada. Acabei de publicá-las no álbum em http://picasaweb.google.com.br/tulio.lazarini/parque200809. Que correria! Para dizer a verdade, queria um final de semana para descansar desse final de semana... ufa!



Escrito por Tulio às 20h08
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